A força da nossa Capoeira

A cada dia que passa me convenço ainda mais da força da nossa Capoeira. Seja nas rodas, na divulgação da cultura brasileira no Brasil e no exterior, seja com o trabalho dos profissionais da Capoeira, que, as vezes com muitas dificuldades, desenvolvem, pelo Brasil afora, um trabalho de inclusão social de crianças, adolescentes, adultos, pessoas da melhor idade e portadoras de deficiência. Leia mais...

Capoeira luta pra regulamentar sua profissão

Camaradas, durante muitos anos a nossa Capoeira vem se destacando em todo o mundo, levando para os mais diversos cantos do planeta as nossas culturas e divulgando, assim o nosso idioma. Mas isto ainda não é reconhecido como deveria pelo poder público constituído, e, muitas das vezes, nem o (a) próprio (a) capoeirista reconhece o valor que tem. Quantos de nós já realizamos grandes eventos de Capoeira; quantos de nós já realizamos ou trabalhamos em um programa social em que utilizamos a nossa Capoeira como forte instrumento de transformação? Com certeza muitas vezes. Leia mais...

Capoeira - esta é a nossa luta!

Estava aqui pensando o que escrever para me despedir do ano de 2011 e aí indaguei: que tal fazer uma retrospectiva dos últimos três anos dedicados a nossa Capoeira? É, acho que seria o ideal, afinal de contas, por causa de nossa atuação, várias foram as conquistas para a Capoeira do Rio de Janeiro. Mas, sem sombra de dúvidas, a maior delas foi o reconhecimento da Capoeira de nosso Estado como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio de Janeiro. Leia mais...

CD Sou Rio, Sou Brasil, Sou Arte Sou Capoeira

Lançamos mais uma tiragem do nosso CD Sou Rio, Sou Brasil, Sou Arte, Sou Capoeira. Durante o Encontro Ibero Americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes, conseguimos vender 100 unidades, tendo uma ótima aceitação de nosso trabalho por parte dos participantes do encontro. Leia mais...

Capoeira participa do Encontro Ibero Americano dos Afrodescendentes

De 16 a 19 de novembro, aconteceu na cidade de Salvador, na Bahia, o Encontro Ibero Americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes. Para a sociedade civil brasileira, a preparação deste encontro se deu na Reunião Preparatória do Movimento Negro para o Encontro Ibero Americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes, realizada nos dias 15 e 16 de outubro de 2011, no Instituto Israel Pinheiro, em Brasília. Leia mais...

sábado, 14 de maio de 2016

“Menino preste atenção no que eu vou te dizer”… Golpe, só de Capoeira!

Rio de Janeiro, Maio de 2016.

Iê Malungos,

Escrevo está nota para prestar esclarecimentos e para desmentir boatos de um cidadão que vem espalhando pelas redes sociais calúnias e difamações contra a minha pessoa.
Ministro Juca Ferreira assinando a Carta da Rede Nacional de Ação pela Capoeira contra a Resolução do CNE
Desde 2012 atuamos no Conselho Nacional de Política Cultural – CNPC, conselho este que tem por finalidade propor formulação de políticas públicas, com vistas a promover a articulação e o debate dos diferentes níveis de governo e a sociedade civil organizada, para o desenvolvimento e o fomento das atividades culturais no território nacional.

Em virtude disso temos acompanhado, de perto, todas as legislações que de alguma forma beneficiam ou prejudicam a Capoeira. E foram através destes acompanhamentos que pudemos, recentemente e com o apoio de mais de dez mil pessoas, entre Mestres, Contramestres, Mestrandos (as), Treinéis, Professores (as), Monitores (as), Alunos (as), Pesquisadores (as), Religiosos de Matrizes Africanas, dentre outros (as), iniciar uma campanha contra uma possível resolução do Conselho Nacional do Esporte – CNE, órgão vinculado ao Ministério do Esporte, em que buscava sem consulta a comunidade, reconhecer a Capoeira como um esporte “inclusive para fins de enquadramento no campo das atividades desenvolvidas e regulamentadas no país”.

Ao enquadrar a capoeira como prática esportiva, esta resolução delimitava o seu ensino aos formados em educação física, conforme o que determina a Lei 9696/98 (Lei Pelé), que regulamenta esta profissão.

PORQUE TODO ESTE INTERESSE? Mesmo contra a vontade de centenas de capoeiristas e da ambivalência contida no texto da resolução Nº 44 do CNE em relação ao Parecer Nº 091/2015/CONJUR-ME/CGU/AGU (https://drive.google.com/file/d/0B6JbCu-pohH8czlpVElBdktDU2M/view?usp=sharing), documento no qual a resolução se ampara para argumentar sobre a legitimidade de uma possível intervenção do Sistema CONFEF/CREF sobre um campo de produção que julgamos (inclusive por ser legalmente anterior à própria configuração da Educação Física enquanto campo profissional) não lhe cabe intervir de forma isolada, autoritária e ilegal. Este último documento destaca que a atuação do Sistema CONFEF/CREF na perspectiva de legislar em favor do reconhecimento da Capoeira enquanto sua área de atuação e fiscalização, pois “pode dar margem ao entendimento de que seriam atividades reservadas àqueles profissionais devidamente registrados nos Conselhos Regionais de Educação Física, em evidente confronto com o disposto no art. 22 da Lei nº 12.288, de 2010, e com o entendimento jurisprudencial atualmente vigente.” Ficam aqui desveladas as intencionalidades do Sistema CONFEF/CREF’s diante da Capoeira e, por conseguinte, o desrespeito ao Ofício de nossos Mestres e Mestras e suas produções.

Portanto, aqui evocamos Stuart Hall (1997) para explicitar a intenção do Sistema CONFEF/CREF’s ao se apropriar do espaço público e da Capoeira para garantir reserva de mercado a partir da produção dos efetivos trabalhadores da Cultura aqui colocados quando o autor nos diz que “a cultura é central não porque ocupe um centro, uma posição única e privilegiada, mas porque perpassa tudo o que acontece nas nossas vidas e todas as representações que fazemos desses acontecimentos”. Se assim acreditamos é inaceitável que o Conselho Nacional do Esporte e Ministério do Esporte legisle em relação a este segmento ignorando violentamente toda a produção acumulada por nossos Mestres e Mestras.

“A Capoeira é notoriamente uma prática multidimensional e, sobretudo, uma referência cultural da sociedade brasileira. A Capoeira pode ser tanto dança, luta e esporte, como também é cultura, arte, lazer, meio de socialização, instrumento de educação popular, forma de transmissão de saberes e da memória ancestral, símbolo de afirmação identitária, dentre outros. E é justamente essa multiplicidade de dimensões uma das características que justificou seu reconhecimento como Patrimônio Cultural do Brasil em 2008 (...)”, conforme parecer do IPHAN/DPI - Departamento do Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em Audiência Pública realizada no Senado Federal no dia 07 de maio de 2014, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte. Iê Maior é DeusIê maior é DeusO pequeno sou euO que eu tenho foiDeus quem me deu...” Portanto, ao conseguirmos, após o empenho de muitos e muitas derrubar a Resolução Nº 44 do CNC, não articulamos um “golpe contra a capoeira”, na verdade, demos um GOLPE NOS MAL INTENCIONADOS que, se dizendo capoeiristas, queriam aprisioná-la, transformá-la em um instrumento de enriquecimento de poucos em detrimento de muitos. Afirmamos: Não temos do que nos arrepender. Fizemos o que tinha de ser feito. E o maior legado que poderemos deixar das ações que temos realizado é uma CAPOEIRA LIVRE praticada e ensinada pelos que são “de verdade”. O que não entendemos é como uma pessoa que se apresenta como “angoleiro” defende a capoeira no alto rendimento (“o esporte de alto rendimento ou de alta performance é aquele cuja finalidade é de se preparar fisicamente para determinada modalidade esportiva”).
 E em outro momento este “angoleiro” diz que temos egocentrismo, que é “o conjunto de atitudes ou comportamentos indicando que um indivíduo se refere essencialmente a si mesmo”. Ora, como ser egocêntrico e ter ao seu lado, nesta luta, grandes personalidades do mundo da capoeira, no Brasil e no exterior? Nestes links que seguem: https://docs.google.com/forms/d/1zRnngCW0ociFm7Ffa5rDt0F0yt7wPC7DT81FOuWyiSI/viewform e https://www.change.org/p/minist%C3%A9rio-do-esporte-e-conselho-nacional-do-esporte-dizemos-n%C3%A3o-a-aprova%C3%A7%C3%A3o-da-capoeira-como-modalidade-esportiva-somos-patrim%C3%B4nio-cultural-imaterial-do-brasil-reconhecido-pelo-iphan-e-patrim%C3%B4nio-cultural-imaterial-da-humanidade-reconhecido-pela-une vocês poderão ver os e as que foram contra a Resolução do CNE.

E, ainda, se tiverem alguma dúvida, poderão assistir aos vídeos dos que deram depoimento contra esta resolução nestes links:
https://www.youtube.com/watch?v=cWQDWtanpUE
https://www.youtube.com/watch?v=Mm_ZopHeJ9U
https://www.youtube.com/watch?v=M2XYFvi8V_g
Em sua última tentativa de nos atingir, este “angoleiro” presidente de federação diz: “Daí a Cesar o que é de Cesar”. Esta é uma frase atribuída a Jesus. “Dai a Cesar o que é de Cesar, e a Deus o que é de Deus”. Será que este cidadão queria ou quer ser igualado a Deus?

Outra coisa, ele diz que eu “dei um golpe na Capoeira”, mas quando precisou de mim para escrever um texto para apresentar para o Ministério do Trabalho sobre o CBO (Cadastro Brasileiro de Ocupações) via SUA federação, a quem o ele pediu? A mim, é claro.

Quando precisou escrever o projeto para o Plano Estadual da Capoeira do Rio de Janeiro, a quem ele pediu? A mim, é claro.

Quando precisou de ajuda para criação e divulgação da ACOMCERJ, da criação da logo, etc. A quem ele pediu? A mim, é claro.

Ele poderia aproveitar e dizer também nos seus textos que quem o indicou para receber o Diploma de Mérito Zumbi dos Palmares na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro fui eu.

O que o deixa magoado é que percebemos a tempo as manobras que estavam sendo gestadas contra a Capoeira e começamos a neutralizar este processo.

Ele deveria dizer também pelas redes sociais que já tem estatutos prontos para criação do sindicato da capoeira, que já está articulado, inclusive, com central sindical para isso e ainda fazendo articulações nos bastidores para a profissionalização da capoeira, mas sabe-se lá com que interesses e, pasmem, sem consultar a comunidade interessada.

Concluindo, apresento abaixo um pouco do que já construímos não para dar um golpe na capoeira, mas para trazer mais dignidade aos e as que dela e para ela vivem e dedica toda uma história de resistência cultural.

Niterói/RJ:
Lei Municipal nº 2.111, de 19/11/2003 - publicada no Jornal O Fluminense de 20/11/2003 Criando o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial da cidade de Niterói/RJ.
Lei Municipal nº 2.147, de 25/06/2004 - publicada no Jornal O Fluminense de 26/06/2004 criando o Dia Municipal da Capoeira a ser comemorado no dia 23 de novembro de cada ano.
Lei Municipal nº 2.342, de 13/06/2006 – publicada no Jornal O Fluminense de 14/06/2006 Reconhecendo de Utilidade Pública Municipal a Liga Niteroiense de Capoeira.

São Gonçalo/RJ:
Lei Municipal nº 009/2005, de 04 de maio de 2005, publicada no Nosso Jornal criando o Dia Municipal da Capoeira em homenagem ao Mestre Manoel Gato Preto a ser comemorado no dia 05 de maio de cada ano.
Lei Municipal nº 033/2005, de 06 de julho de 2005, publicada no Nosso Jornal introduzindo nas escolas, comunidades e praças aulas de capoeira.

Estado do Rio de Janeiro:
Lei Estadual n° 5577/2009, de 20 de novembro de 2009, que reconhece a capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro.

No Governo Federal:
Defendemos em maio de 2014 a criação da cadeira da Capoeira no Conselho Nacional de Política Cultural – CNPC, o que se concretizou na data de 13 de maio de 2016, em publicação no Diário Oficial da União – DOU. A criação desta cadeira foi uma iniciativa do Setorial de Culturas Afrobrasileiras e coube a nós a defesa.

Concluindo, deixo aqui uma frase do Mestre Vicente Ferreira Pastinha, que por si só diz tudo: “Capoeira é muito mais do que uma luta, capoeira é ritmo, é música, é malandragem, é poesia, é um jogo, é religião. (...) A capoeira é tudo que a boca come”.

Atenciosamente,
 Mestre Paulão Kikongo

www.radiocapoeira.com 

sábado, 27 de junho de 2015

Conheça as propostas da Rede Nacional de Ação pela Capoeira

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Convidados de audiência reagem a projeto que reconhece capoeira como profissão

Audiência pública realizada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), nesta quarta-feira (7), revelou divergências em relação a projeto de lei destinado a reconhecer a prática da capoeira como profissão. Para a maioria dos convidados, a proposta em exame (PLC 31/2009), vinda da Câmara dos Deputados, reduz uma prática cultural complexa a um esporte, além de impor um modelo de organização federativa sem garantia de transparência, que poderá trazer a exclusão de mestres formados dentro da tradição e que conquistam o título por reconhecimento dos próprios praticantes.
A visão predominante é de que regulamentação só será legítima se reconhecer a capoeira como atividade multidimensional - ao mesmo tempo luta, dança e arte - além de fator de socialização, criação de identidade e de transmissão de memória ancestral.
Para Alexandro Reis, diretor da Fundação Cultural Palmares, no momento em que o país vem adotando ações afirmativas no campo da educação e em favor dos quilombolas, esse deve ser o enfoque para a capoeira, cabendo aos praticantes construir uma ação unitária e provocar o Estado a agir na direção certa.
– O Estado tem uma dívida com os capoeiristas e com a cultura afrobrasileira – afirmou.
O debate foi sugerido pelos senadores Inácio Arruda (PCdoB-CE) e Lídice da Mata (PSB-BA). A senadora, que também presidiu a audiência, é a relatora do projeto, do deputado Arnaldo Faria de Sá (PSDB-SP), na Comissão de Educação. O projeto reconhece a prática da capoeira como profissão, na sua manifestação como dança, competição ou luta, considerando o capoeirista um atleta profissional.
Escolha
Reginaldo da Silveira Costa, mestre de capoeira (batizado Squisito) e educador, defendeu como alternativa um modelo de organização que não afete o “princípio da liberdade de escolha”. Prevalecendo o sistema sugerido pelo projeto, conforme assinalou, todos os mestres deverão ser filiados e homologados por um conselho, a seu ver um critério que “arrepia” o capoeirista e suas tradições.
- Lutamos séculos contra a hegemonia de qualquer tipo de senhor, de qualquer tipo de dominação, para chegar a um tempo em que a gente cria uma lei que nos engessará perante a uma determinada instituição. Essa é a questão mais assustadora - disse.
Representante do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a diretora Célia Maria Corsino explicou que, com o reconhecimento da capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, em julho de 2008, a roda de capoeira e o ofício de mestre foram inscritos no Registro dos Ofícios e Mestres de Saberes. Mesmo com a ressalva de que não é papel do órgão apoiar ou não o projeto, ela afirmou que a profissão a ser criada de fato não pode desconsiderar a complexa dimensão cultural e social da capoeira.
Dentro das responsabilidades do órgão de incentivar e proteger os bens culturais reconhecidos, no caso da capoeira o Iphan deve lançar ainda esse ano um edital de premiação para os mestres de capoeira, como informou a diretora. O órgão também participa de comitê que está trabalhando para assegurar o reconhecimento da roda de capoeira, pela Unesco, como bem imaterial da humanidade. Além disso, ela disse que, por meio de suas representações estaduais, o Iphan está identificando e buscando o diálogo com grupos de capoeira de todo o país, saindo do foco “Bahia-Rio de Janeiro”.
- A gente pensa que não, mas a capoeira está em todo o Brasil – afirmou.
Mesmo sem fazer clara defesa do projeto, o presidente da Confederação Brasileira de Capoeira (CBC), Gersonildo Heleno de Sousa, foi o único na mesa a enfatizar como urgente a institucionalização da profissão. Como explicou, isso irá solucionar o problema da proteção previdenciária, além de fortalecer os campeonatos e a criação de ranking nacional de capoeiristas, um critério para a concessão da bolsa-esporte aos atletas.
- Nossa ideia é também buscar a profissionalização para afastar os falsos mestres [de capoeira]. Hoje parece que todo mundo é mestre – comentou Gersonildo.
Já Hélio Tabosa de Moraes, o mestre Tabosa, disse que não se preocupa com a questão dos “falsos mestres”. Segundo ele, o reconhecimento vem da comunidade e, se ele não existir, o pretenso mestre “não vai longe”. Para ele, há motivos mais sérios para que se fique com um “pé atrás”, posição de defesa na ginga da capoeira. O principal seria em relação a como se fará a destinação dos recursos que o projeto destina à atividade, o equivalente a 2% da arrecadação das loterias, que tendem a ser atribuídos à atual federação.
- Esta instituição passa a ser a única a ter direito ao acesso a esses recursos e isso praticamente diz quais são os objetivos que o projeto em si busca e que são lesivos aos interesses maiores da capoeira, da cultura e da sociedade – afirmou.
Sem pressa
Depois da longa discussão, Lídice da Mata esclareceu que, diante das controvérsias, ela não terá pressa em apresentar o relatório com sua posição sobre o projeto. Disse que o assunto é complexo e precisa ser bem amadurecido. Observou que isso é ainda mais importante porque, devidos a restrições constitucionais, o Supremo Tribunal Federal tem sido rigoroso no tratamento de ações a respeito de profissões. Por esse motivo, ressaltou Lídice, os mais recentes projetos para regulamentar atividades estão sendo vetados quando chegam para sanção presidencial.
- Por isso tudo é necessário caminhar devagar.  Além disso, toda regulamentação significa restrição ao exercício da atividade – disse a senadora, ao reconhecer também esse ponto como mais um motivo de cautela.
Lídice, que recentemente esteve em Salvador para uma audiência da comissão sobre a matéria, observou ainda a necessidade de ouvir grupos e praticantes de capoeira de todo o país. Observou que há restrições orçamentárias para que se faça uma audiência em cada estado, mas lembrou que as contribuições podem ser enviadas pelos canais interativos do Senado pelo portal na internet. Também adiantou que deverá aproveitar o trabalho de consulta que o Iphan está promovendo.
A senadora, numa exceção às regras, deu voz a um conjunto de ouvintes da audiência, entre eles Zulu Araújo, ex-presidente da Fundação Palmares. Ele destacou que o projeto não é a primeira ameaça à tradição cultural da capoeira. Lembrou que há alguns anos o Conselho Federal de Educação Física instruiu suas regionais a exigirem diploma de curso superior para quem ensinasse capoeira, além de cobrar contribuição ao órgão.
Para afastar o risco, naquele momento o então ministro da Cultura Gilberto Gil formou um grupo de trabalho, do qual fez parte. Como resultado desse trabalho, depois se encaminhou ao Iphan o pedido para que a capoeira fosse reconhecida como patrimônio cultural imaterial.
Fonte: Agência Senado

domingo, 3 de novembro de 2013

Capoeira tem várias vitórias nas conferências de cultura

Mestres Paulão Kikongo, Marcus Wagner, Tio Robson, Márcia e Pulga
na Conferência de Cultura. 
Camaradas, já faz um bom tempo que não escrevemos aqui em nosso blog. Temos estado em várias frentes de batalhas e, com isto, o nosso tempo, que já era curto, ficou muito menor. Mas em respeito a você, nosso (a) leitor (a), tentaremos manter, a partir de hoje, uma periodicidade pelo menos mensal, já que tem sido muitas as vitórias que temos conseguido para a nossa capoeira.

É o caso das conquistas que conseguimos nas conferências de cultura da Cidade de São Gonçalo e da Cidade de Niterói, ambas no Estado do Rio de Janeiro.

Como presidente da Liga Gonçalense de Capoeira e com o apoio de nossos (as) diretores (as) e diversos (as) Mestres da cidade, conseguimos aprovar, na V Conferência Municipal de Cultura de São Gonçalo, dentre outras, as seguintes propostas: 
  • Criação da Lona Cultural Manoel dos Santos Francisco (Mestre Manoel Gato Preto), ícone da Capoeira Gonçalense. Nesta lona todos os grupos, associações de capoeira e demais grupos e agentes culturais de outras manifestações artísticas da Cidade de São Gonçalo;
  • Criação da Casa das Culturas Populares e Tradicionais, contemplados no Decreto 6040/2007, como um local de referência para a Capoeira, a Dança Afro, a Folia de Reis, o Jongo, a Cultura Indígena, dentre outros;
  • Promover oficinas de aprendizagem para a permanência da cultura no âmbito da Capoeira, seja na confecção dos instrumentos ou no ensinamento da arte nas praças, escolas, centros culturais, sindicatos, universidades, dentre outros;
  • Fazer cumprir nas Escolas Municipais, nas comunidades e praças o que determina a lei Municipal nº 033/2005, que introduz nas escolas municipais, comunidades e praças a prática da capoeira em suas diversas manifestações;
  • Criação de Biblioteca das Culturas Africanas, Afro-brasileiras e Indígena melhoria do acervo das bibliotecas públicas com estas temáticas;
  • Criar cartilhas sobre as culturas populares e tradicionais (capoeira, folia de reis, jongo, samba de roda em conformidade com o decreto 6040/2007) para serem distribuídas nas escolas públicas municipais da cidade, com indicativo de utilização pela Secretaria Municipal de Educação, para que crianças e adolescentes da educação infantil, do 1º e 2º seguimento do ensino fundamental  e EJA tenham acesso a estas informações, criando assim uma cultura preservacionista nestes (as) alunos (as) em relação às culturas populares e tradicionais;
  • Revisão da Matriz Curricular da Secretaria de Educação em Parceria com a Secretaria de Cultura e Sociedade Civil Organizada;
  • Identificar e catalogar os acervos existentes e deixados pelos Mestres de Culturas Populares e Tradicionais locais (Mestres de Capoeira, de Folia de Reis, dentre outros);
  • Publicação do Livro da Capoeira em diferentes versões (impressa, online) e em diversos idiomas (português, inglês, espanhol e francês);
  • Inserir o Dia Municipal da Capoeira, instituído através da Lei Municipal 009/2005 no calendário oficial de eventos da Prefeitura Municipal de São Gonçalo com recursos orçamentários garantidos a cada ano para a comemoração desta data;
  • Reconhecer a Capoeira e a Folia de Reis da cidade como Bem Cultural de Natureza Imaterial, criando mecanismos legais para a sua preservação.
Já como Diretor Cultural da Liga Niteroiense de Capoeira e com uma ótimo articulação do Presidente da Liga, Mestre Miquinho e os demais diretores (as), Mestres e Capoeiristas presentes, conseguimos aprovar na Conferência de Cultura da Cidade de Niterói as seguintes propostas:
Estivemos reunidos com os capoeiristas
discutindo as propostas para Niterói
  • Criar legislação de regulamentação da capoeira, incluindo formação continuada aos profissionais do ramo financiadas pelo poder público;
  • Valorizar e difundir a prática da capoeira e sua cultura relacionada;
  • Incluir a capoeira nos programas de reconhecimento, preservação, fomento e difusão do patrimônio imaterial;
  • Criar edital para o mapeamento e consequente reconhecimento dos mestres de capoeira como patrimônio imaterial;
  • Legalizar a capoeira como atividade curricular nas instituições de ensino municipais de Niterói incluindo publicações de material didático e paradidático, em vários suportes a serem distribuídos para disseminar nelas as práticas culturais imateriais;
  • Efetivar a lei 10639/03 sobre o ensino da prática da capoeira em ambiente escolar;
  • Criar instrumentos para a ampliação dos recursos orçamentários;
  • Criar editais específicos para a capoeira, no modelo do Programa Nacional de Patrimônio Imaterial – PNPI. Editais para a preservação da memória da capoeira no município de Niterói através da publicação de livros, filmes, criação de acervos materiais dentre outros instrumentos;
  • Garantir nos editais de pontos e pontões de cultura, espaço para a capoeira;
  • Criar editais e/ou programas de fomento voltados às pessoas com deficiência como praticantes da capoeira;
  • Flexibilizar os parâmetros urbanísticos para a concessão dos alvarás, além da isenção fiscal dos mesmos, nos pontos de ensino e organizações de capoeira;
  • Criar um programa permanente de capacitação dos agentes culturais e profissionais vinculados às comunidades tradicionais detentoras do patrimônio cultural imaterial da capoeira voltado para a captação de recursos, organização de associações, cooperativas, bem como outras formas de fomento às estruturas e arranjos econômicos tradicionais locais. O programa deverá levar em conta as especificidades locais, bem como deverá estabelecer, preferencialmente, parcerias com agentes já atuantes no campo da capoeira;
  • Valorizar os profissionais detentores e transmissores dos saberes e fazeres tradicionais da capoeira, através da criação de um programa permanente de qualificação para o ensino desta. Incluindo neste, a compra de instrumentos e outras especificidades, assim como a qualificação para o ensino voltado às pessoas com deficiência;
  • Criar um centro de referência para a capoeira e suas manifestações culturais em que a gestão seja realizada através de um conselho deliberativo a ser votado por esta comissão e que contemple editais de ocupação;
  • Realizar aulas e apresentações de capoeira em espaços públicos e espaços de difusão cultural, como museus, teatros, praças, parques, etc.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Promoção: Berimbau de Barriga e seus toques + CD de Capoeira

Esta é a capa do livro que será sorteado
Promoção: EU QUERO O LIVRO BERIMBAU DE BARRIGA E SEUS TOQUES + CD DE CAPOEIRA 

Para começarmos o ano de 2012 em grande estilo, preparamos uma promoção que vai fazer o maior “barulho” nas Rodas de Capoeira: Nada mais é do que um sorteio do LIVRO BERIMBAU DE BARRIGA E SEUS TOQUES + CD DE CAPOEIRA

Para participar desta promoção do sorteio deste livro publicado nos anos 70 + o CD sou Rio, Sou Brasil, Sou arte, Sou Capoeira, basta você fazer um depósito no valor de R$5,00 (cinco reais) na conta do Banco Itaú Agência 4561 Conta 38488-6 (Paulo Silva) enviar o comprovante de depósito para contato@mestrepaulao.com.br, curtir a nossa página no Facebook, clicar na barra “PROMOÇÕES” e em seguida clicar no botão “Eu Quero participar” e pronto! 

Quando atingirmos a marca de 500 fãs ou superior, realizaremos o sorteio através da ferramenta SORTEIE-ME no Facebook. Está ferramenta atribui a cada fã um número e sorteará 1 (um) número aleatório. 

Após o sorteio realizado, entraremos em contato com o (a) ganhador (a) via facebook, informando para todos (as) que participaram da promoção no mural da página. 

Após o primeiro contato, o (a) Ganhador (a) tem 48 horas para retornar o contato. Caso não haja retorno do contato dentro do prazo, realizaremos outro sorteio. 

SOBRE A PREMIAÇÃO: 
Trata-se do livro de Kay Shaffer Berimbau de Barriga e Seus Toques (original) + o CD de Capoeira gravado por mim. O livro Berimbau de Barriga e seus toques recebeu Menção Honrosa no Concurso Silvio Romero em 1977. Já o CD de Capoeira tem músicas gravadas de minha autoria e da autoria de meus alunos. 

REGRAS PARA PARTICIPAR DO SORTEIO: 
  • Fazer o depósito no valor de R$5,00 (cinco reais) na conta informada e não deixar de enviar o comprovante; 
  • Ser fã da página Brasil na luta pela profissionalização da Capoeira no Facebook; 
  • Clicar na barra "Promoções" em seguida clicar no botão "Eu quero participar". 
  • Compartilhar a promoção no seu mural. 
  • O sorteio será realizado assim que atingirmos a marca de 500 (quinhentos) fãs ou superior . 
  • Será utilizada a ferramenta Sorteie.me no Facebook, que atribuirá a cada fã um número, e sorteará 01(um) número aleatório. 
  • Prêmio: LIVRO BERIMBAU DE BARRIGA E SEUS TOQUES + CD SOU RIO SOU BRASIL SOU ARTE SOU CAPOEIRA
  • Após o sorteio realizado, entraremos em contato via Facebook e informaremos o (a) vencedor (a) no mural da página. 
  • O (a) Ganhador (a) tem até 48 horas para retornar o contato. Caso não haja retorno do contato dentro do prazo, realizaremos outro sorteio. 
  • Atenção: a ferramenta sortei.me só atribui numeração para ser sorteada entre os fãs da página. Bom, é isso aí! Convide seus amigos, compartilhe a promoção e não perca a chance de por apenas R$5,00 (cinco reais) ganhar um livro raríssimo e um excelente CD de capoeira. Boa sorte!

domingo, 25 de dezembro de 2011

A força da nossa Capoeira

Desenho de Pedro Henrique Machado Palmeira, 11 anos,
vencedor do Concurso do Dia das Crianças Carrefour 
A cada dia que passa me convenço ainda mais da força da nossa Capoeira. Seja nas rodas, na divulgação da cultura brasileira no Brasil e no exterior, seja com o trabalho dos profissionais da Capoeira, que, as vezes com muitas dificuldades, desenvolvem, pelo Brasil afora, um trabalho de inclusão social de crianças, adolescentes, adultos, pessoas da melhor idade e portadoras de deficiência.

Esta força tem sido mostrada ao longo de todos esses anos de existência dessa que é uma das grandes ferramentas que temos para a afirmação de nossa identidade cultural. As transformações porque passou e porque passa a nossa Capoeira nos últimos anos tem levado a sociedade brasileira, empresários e governos a olhá-la com "outros olhos". 

Políticas públicas voltadas para a prática e divulgação de nossa Capoeira no Brasil e no exterior tem sido visíveis. Mas ainda assim tem sido muito pouco. Agora estamos tentando aprovar Projeto de Lei que regulamenta a Capoeira como profissão. Temos tentado, com os nossos recursos, com os nossos próprios meios, levantar uma discussão acerca desta profissionalização. Criamos uma página no Facebook, um abaixo assinado online, mas, ainda assim, pouco se discutiu e muitos, diria, milhões ainda não assinaram o abaixo assinado pela nossa profissionalização.

Cadê a força de nossa categoria, cadê a força de nossa Capoeira? Será que só conseguimos nos reunir quando o berimbau toca? O que vemos hoje sobre esta discussão é como se fosse um toque de cavalaria: ao toque do berimbau, a nossa galera debanda. 


Precisamos urgentemente fazer uma reflexão do que queremos hoje e do que esperamos para amanhã em relação ao futuro de nossa arte. Será que teremos que presenciar a morte de muitos outros Mestres de Capoeira, muitos dos quais em situação de miséria absoluta, ou vamos nos unir para que o Estado brasileiro regularize esta que hoje, com certeza, influencia e muito no PIB da Cultura brasileira. Indústrias de confecção, gráficas, dentre outros seguimentos faturam muito com a prática de nossa Capoeira por todo o país. E quantos recebem os Profissionais da Capoeira pelos serviços que prestam à sociedade brasileira? Sinceramente não sei, mas não acredito que seja muito. 

Cadê a força da nossa Capoeira? Essa é a pergunta que deixo para a reflexão de nossos pares para o próximo ano que se aproxima. Perdemos Mestres Peixinho, Arthur Emídio, Vieira, Dentinho, João Pequeno, dentre outros... Quantos precisaremos perder mais?

Concluo registrando aqui mais uma ação que mostra a nossa força: Pedro Henrique Machado Palmeira, uma criança de onze anos de idade, moradora do Rio de Janeiro, que eu não conheço (mas gostaria muito de conhecê-lo) ficou em 1° lugar no Concurso do Dia das Crianças Carrefour. Sabe qual foi o desenho que ele fez? Uma Roda de Capoeira. Este desenho é o que ilustra este meu artigo. E aproveito para deixar aqui a nossa homenagem a este jovem que, do seu jeito, com a sua genialidade, levou seu nome e o nome de nossa Capoeira para as páginas dos principais jornais de nosso país.

Para nossos e nossas leitores (as) um NOVO ANO MUITO ABENÇOADO.

Mestre Paulão

domingo, 14 de agosto de 2011

Capoeira luta para regulamentar sua profissão


Ato pela regulamentação da Capoeira em Porto Alegre - RS
Camaradas, durante muitos anos a nossa Capoeira vem se destacando em todo o mundo, levando para os mais diversos cantos do planeta as nossas culturas e divulgando, assim o nosso idioma. Mas isto ainda não é reconhecido como deveria pelo poder público constituído, e, muitas das vezes, nem o (a) próprio (a) capoeirista reconhece o valor que tem.

Quantos de nós já realizamos grandes eventos de Capoeira; quantos de nós já realizamos ou trabalhamos em um programa social em que utilizamos a nossa Capoeira como forte instrumento de transformação? Com certeza muitas vezes.

Só camaradas, que agora chegou a vez de incluirmos socialmente os Mestres (principalmente) e demais profissionais que trabalham com a nossa Capoeira em programas de Estado. É chegada a hora do Governo Brasileiro, em todas as sua esferas, nos dar o valor que temos direito. Muitos Mestres de Capoeira morreram na miséria no passado e muitos, ainda no dia de hoje, estão morrendo também.

domingo, 20 de março de 2011

Enquanto a Capoeira diverte Obama, Mestre morre esquecido pelo Poder Público



A visita do Presidente dos Estados Unidos ao Brasil tem causado grandes impactos em nossa sociedade, seja por parte da população, querendo ver o Presidente da maior potência mundial, querendo acreditar na existência do sonho possível ou por parte do Governo brasileiro e empresários ávidos por fecharem negócios de interesse para ambos os lados. No meio disso tudo ficam os artistas brasileiros, “convidados” para darem seu show particular (ou coletivo) para o primeiro presidente negro na história dos Estados Unidos e para sua família.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr 

Como não poderia deixar de ser, diversas foram as apresentações culturais voltadas para a comitiva de Obama. Na capital federal, um dos destaques foi à apresentação de capoeira e aqui no Rio de Janeiro, além da Capoeira, houve a participação do Grupo Cultural Afro Reggae.


Porque estou falando sobre isso? Porque não é de hoje que os governos se utilizam das culturas africanas e afro-brasileiras para divulgarem a imagem do Brasil para o mundo. A nossa Capoeira, como uma das nossas maiores embaixadoras culturais no mundo, sempre é lembrada. Acho muito bom que isto aconteça. Mas por que só se lembram de nossas culturas nestes momentos?  Se estas são tão importantes, por que até hoje não implantaram as leis que tratam da temática étnico-racial como política pública para as áreas de educação e cultura no processo de ensino e aprendizagem das redes públicas e privadas por esse país afora? 

As alterações na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) ocorridas em virtude das Leis 10.639/2003 e 11.645 de 10 de março de 2008; o parecer nº 03/2004 do Conselho Nacional de Educação/CNE/Conselho Pleno – CP – Ministério da Educação – MEC, da Resolução nº 01/2004 do Conselho Nacional de Educação, do Art. 3º do Decreto 6040, de 07 de fevereiro de 2007, da Deliberação 04/2006 do Conselho Estadual de Educação – CEE / RJ não vão sair do papel? Por quê? Claro que alguns avanços ocorreram, mas ainda são muito poucos.

Enquanto isso...

Enquanto a nossa história não é contada como deveria em nossas escolas, continuamos realizando festas para agradar a gregos e troianos, e agora, também, aos americanos. Nada contra realizarmos festas, afinal, somos um povo festeiro. Mas enquanto são gastos milhões para festas com autoridades como estas, os Zeladores de nossa cultura estão partindo para o encontro com Deus sem que tenham tido, em vida, o reconhecimento do poder público constituído.

Do “show”... para o cemitério
Mestre Vieira à direita na foto

Depois de uma bela apresentação de Capoeira na Cidade de Deus, que com certeza ficará na memória de muitos dos que ali estiveram, a Capoeira do Rio de Janeiro está de luto. Morreu ontem, dia 19 de março, de tuberculose, o Mestre Vieira, grande Mestre de Capoeira de nosso estado, por volta das 19 horas. Mestre Vieira foi um precursor de grandes eventos de Capoeira em nosso Estado.  Com uma grande consciência racial, tinha a preocupação de transmitir o seu conhecimento para os jovens, ensinando-lhes a importância da preservação de nossa cultura. Lembro-me quando, na época do Campeonato Pan-Americano de 2007 o Mestre Vieira esteve comprometido na realização de um grande evento de Capoeira denominado CAPOEIRA DO RIO É PAN. Incansável em sua luta pela preservação e divulgação de nossa arte, uma de outras de suas grandes obras era uma grande Roda de Capoeira com uma suculenta feijoada para comemorar o Dia 20 de Novembro – Dia Nacional da Consciência Negra

Mestre Vieira (como muitos Mestres de Capoeira e de outras culturas), deu a sua vida pelo trabalho que acreditava. Mestre Vieira, descanse em Paz. Com certeza o legado deixado por ti para as futuras gerações por nós será preservado. Que Deus esteja convosco.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

IPHAN cria Prêmio Viva Meu Mestre

No último dia 29 de outubro foi lançado pelo IPHAN, no 2º Encontro Pró-Capoeira ocorrido no Rio de Janeiro, o Prêmio Viva Meu Mestre, que tem como objetivo o reconhecimento e o fortalecimento da tradição cultural da Capoeira por meio da premiação de Mestres e Mestras de Capoeira.
Para participar é necessário que o (a) postulante ao prêmio tenha idade igual ou superior a 55 anos e cuja trajetória de vida tenha contribuído efetivamente para a transmissão e continuidade da Capoeira no Brasil.
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Mestres Mintirinha, Vilmar, Celso e Mendonça poderão ser contemplados

Este prêmio é uma política do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional de reconhecimento e valorização dos “patrimônios vivos” da nossa Capoeira, buscando proporcionar uma ampla visibilidade da nossa Capoeira perante a sociedade brasileira, reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil.

Segundo o IPHAN, este prêmio está integrado ao Programa de Salvaguarda e Incentivo à Capoeira (Pró-Capoeira).

Quem pode concorrer
Poderão concorrer ao Prêmio Viva Meu Mestre 2010 Mestres e Mestras de Capoeira, de qualquer vertente ou estilo com reconhecida experiência e conhecimento nos saberes e fazeres da Capoeira e as inscrições poderão ser apresentadas de 29 de outubro a 17 de novembro de 2010, conforme exigências publicadas no Edital do Prêmio.
Veja aqui a matéria publicada pelo IPHAN e baixe aqui o edital do Prêmio.
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Mestre Genaro, 2º na foto da esquerda para a direita também poderá ser contemplado
 De quanto será o Prêmio?
Serão concedidos 100 prêmios, no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) para cada premiado. Desse valor haverá a dedução e o recolhimento na fonte, referente ao imposto de renda. Assim sendo, o total que cada Mestre receberá será de aproximadamente R$ 10.800,00 (dez mil e oitocentos reais)."

Foto: Acervo Mestre Paulão

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Rio de Janeiro sedia o 2º Encontro Pro-Capoeira

Prezados leitores (as), por causa de compromissos com a universidade não temos tido tempo suficiente para atualizarmos o nosso blog e por isso pedimos desculpas a todos e todas que nos acompanham já há algum tempo. 
Devido aos acontecimentos recentes que vem envolvendo a nossa capoeira, em particular o Programa Nacional de Salvaguarda e Incentivo à Capoeira – Pró- Capoeira, que temos acompanhado, apesar de pouco tempo, com muito cuidado, decidimos publicar aqui algumas informações que consideramos importante.
Sabemos que a nossa Capoeira, nestes últimos oito anos, tem recebido do estado brasileiro uma valorização como nunca antes havia ocorrido. Tivemos diversos editais para Pontos de Cultura, Programa Capoeira Viva (muito criticado por alguns) e o reconhecimento da Capoeira como Patrimônio Imaterial Brasileiro através de seus Mestres e da Roda de Capoeira. O Iphan criou um Grupo de Trabalho específico para tratar da salvaguarda, o que também é um grande avanço. Os méritos deste avanço, acreditamos, são de todos e todas às pessoas (Mestres, alunos, pesquisadores, escritores, personalidades públicas, como o ex-Ministro Gilberto Gil, dentre outros) que com sua perseverança, com seu trabalho e com sua energia conseguiu levar a nossa Capoeira para um lugar de destaque que já deveria ter alcançado há muito tempo.
Agora está se discutindo em algumas regiões de nosso país o Plano Nacional de Salvaguarda da Capoeira, através dos Encontros Pró-Capoeira. Ocorreu o primeiro encontro em Recife e nos dias 27 , 28 a 29/10 acontecerá o 2º encontro aqui no Rio de Janeiro.

Fizemos a nossa inscrição pela internet e hoje tivemos o nosso nome confirmado para a participação no referido evento, através de e-mail de confirmação enviado pela Coordenadora Geral do Plano de Salvaguarda, a senhora  Fernanda Rodrigues Amorim. 
Se você não fez sua inscrição pelo site, não fique de fora deste encontro, pois o mesmo será de suma importancia para a nossa Capoeira. Compareça ao local do evento e faça sua inscrição como um (a) dos observadores, pois com certeza a sua contribuição será importante para o processo. Confira abaixo a programação:

Serviço:

Centro de Convenções Sul América
Avenida Paulo de Frontin com Avenida Presidente Vargas - Cidade Nova - RJ
(Próximo à Prefeitura do Rio e ao Metrô Estácio)
Telefone: 55 21 3293-6700
Data: 27 a 29 de outubro de 2010
Horário do credenciamento: 8h30min às 14h

Sem mais,

Mestre Paulão
Presidente da Liga de Capoeira do Estado do Rio de Janeiro - LICAERJ
Nos acompanhe no Twitter: @mestrepaulao





quinta-feira, 17 de junho de 2010

Congresso aprova Estatuto da Igualdade Racial

ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL SOFRE ALTERAÇÕES EM SUA APROVAÇÃO
Foi aprovado ontem pelo Congresso Nacional o Estatuto da Igualdade Racial. Tramitando no Congresso por sete anos, depois de muitos debates e algumas alterações significantes, o Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado. 
 Senador Paulo Paim (PT-RS) e líderes do movimento negro pelo Estatuto da Igualdade Racial, 
comemoram aprovação do projeto que cria o Estatuto da Igualdade Racial Sessão desta quarta-feira 
                                                      Fotógrafo: Geraldo Magela - Agência Senado

Segundo a Coordenadora do Movimento Negro Unificado (MNU) do Distrito Federal, Jacira da Silva, o Estatuto da Igualdade Racial é um instrumento legal importante, mas perdeu sua força por deixar de fora pontos considerados importantes para o movimento social negro, como as cotas nas universidades, nos partidos políticos e as políticas para a saúde da população negra.

CAPOEIRA É CONTEMPLADA NO ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL
A Capoeira, como não poderia deixar de ser, teve seu papel reconhecido com a aprovação deste Estatuto, que diz:

DA CULTURA

Art. 21º - O poder público garantirá o registro e proteção da capoeira, em todas as suas modalidades, como bem de natureza imaterial e de formação  da identidade cultural brasileira.
Parágrafo único. O poder público buscará garantir, por meio dos atos normativos necessários, a preservação dos elementos formadores tradicionais da capoeira nas suas relações internacionais.

DO ESPORTE E LAZER

Art. 24º - “A capoeira é reconhecida como desporto de criação  nacional nos termos do art. 217 da CF.”

§ 1º  A atividade de capoeira será reconhecida em todas as modalidades em que a capoeira se manifesta, seja como esporte, luta, dança ou música, sendo livre o exercício em todo o território nacional.

§   Ë facultado o ensino da capoeira nas instituições públicas e privadas pelos mestres tradicionais, pública e formalmente reconhecidos.


PONTOS RETIRADOS DO TEXTO FINAL CAUSAM POLÊMICA
Diversos pontos que foram excluídos do texto final do Estatuto causaram insatisfação entre diversos integrantes do Movimento Social Negro. Dentre os quais podemos citar o da posse da terra. Sabemos que os chamados grileiros e coronéis estão expulsando populações remanescentes de quilombos de suas terras, habitadas por eles há mais de 200 anos.
 Pai Alberto Jorge; Egbonmy Donceição Reis d"Ogten; 
e senador Paulo Paim (PT-RS) Fotógrafo: José Cruz - Agência Senado

Outro fato importante que foi retirado diz respeito a saúde da população negra. É sabido da existência de determinadas doenças que tem maior incidência na população negra e por isso o Movimento Negro vem reivindicando, como direito de cidadania, uma política para a saúde voltada especificamente para a população afrodescendente.

Segundo a Drª Jurema Werneck, Coordenadora da Comissão Intersetorial de Saúde da População Negra, os problemas de saúde que afetam a população negra estão direta ou indiretamente ligadas ao preconceito.

VITÓRIA FOI IMPORTANTE, MAIS NÃO PODEMOS FICAR PARADOS
Camaradas, a aprovação do Estatuto foi um passo importante para a diminuição das mazelas sociais porque ainda passam a população negra neste país, mais, após a sansão do Presidente Lula, precisamos ficar atentos ao cumprimento do que ali está determinado. Outro fator importante é ficarmos atentos aos PLs que encontram-se em votação no Congresso Nacional que são de nosso interesse, para que os mesmos sejam aprovados contemplando as lacunas existentes com o veto de importantes artigos nos estatuto que beneficiavam a nossa comunidade.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Secretário da ONU vem ao Brasil e assiste Roda de Capoeira

Em visita oficial ao Brasil, o Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, chega nesta quinta-feira, dia 27 de maio, ao Rio de Janeiro. Durante os dois dias que ficará na cidade - em sua primeira visita como Secretário Geral da ONU, ele terá uma agenda intensa.

Ele vem ao Brasil para participar do III Fórum da Aliança de Civilizações das Nações Unidas que acontece no Rio entre os dias 27 e 29 de maio, com o tema "UNINDO AS CULTURAS, CONSTRUINDO A PAZ".

Na ocasião, além da coletiva de imprensa pela parte da manhã no hotel Rio Othon Palace (Avenida Atlântica, 3264 – Copacabana), onde explicará os motivos de sua visita ao país, às  14 horas, o Secretário-Geral, acompanhado de sua esposa, a Sra. Ban Soon-taek, do Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e de representantes do Sistema das Nações Unidas no Brasil, realizará uma visita à comunidade Babilônia/Chapéu Mangueira.

No local ele será recebido pelo líder comunitário, Carlos Paló, outras lideranças comunitárias e por um grupo de jovens que fará uma apresentação de capoeira e de hip-hop. Logo após ele seguirá para o Centro Comunitário onde doze adolescentes de diversas comunidades cariocas conversarão com ele sobre suas realidades, seu futuro e o que podem fazer para melhorar suas vidas dentro da perspectiva dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Este encontro está sendo organizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pelo Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN-Habitat).

Maiores informações poderão ser encontradas no site da UNIC Rio de Janeiro (Centro de Informações das Nações Unidas - Rio de Janeiro).
Foto: Divulgação (ONU)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Palmas pra Capoeira agita Tocantins


Nos dias 2 e 3 de julho de 2010 acontecerá em Palmas - Tocantins, o  "Festival Internacional Palmas para a Capoeira".

Com a presença já confirmada de diversos Mestres, este evento pretende ser um dos grandes acontecimentos da Capoeira em 2010.

Caso seja de seu interesse participar, entre em contato com os organizadores pelos pelos telefones:
 
Asa Delta (63) 8407-1425 / Buda: (63) 8454.9637 / Cego: (63) 9282-2828

terça-feira, 4 de maio de 2010

Capoeira terá frente parlamentar em sua defesa

Na próxima quarta-feira, 5 de maio, será lançada em Brasília, na Câmara Federal, a Frente Parlamentar da Capoeira. Este ato de lançamento acontecerá no hall da taquigrafia, onde será tocado o Hino Nacional Brasileiro ao som dos Berimbuas. Por volta das 16 horas os deputados falarão sobre os objetivos da frente, na sala de reuniões da Comissão Mista do Orçamento. 

 

A Capoeira, que tem diversos Projetos de Lei de seu interesse para serem votados tanto na Cãmara como no Senado, precisa ficar atenta para saber as reais intenções desta frente parlamentar. Só o projeto de autoria do nobre deputado federal Arnaldo Faria de Sá, que versa sobre a regulamentação da profissão de Mestre de Capoeira está em tramitação desde 2002.  Portanto, ao nosso ver já deveriam ter se preocupado a mais tempo para criarem meios de debaterem as demandas que há muito estamos querendo discutir com os políticos em particular e com toda a sociedade brasileira. 

 

Este, como sabemos, é ano eleitoral e esperamos que a Capoeira não venha servir apenas, mais uma vez, como massa de manobra para uns e outros angariarem alguns votos (já vimos este filme antes) e depois  estes "agraciados" sumirem do mapa. Temos sido utlizados durante todos estes anos como ferramenta essencial na promoção da igualdade entre os povos, entre as diversas raças, tanto aqui no Brasil como no exterior, mais até hoje não tivemos o reconhecimento por parte do governo, principalmente no que tange a salvaguarda, o cuidar, dar assistência, principalmente, as antigos Mestres de Capoeira do Brasil, que ainda hoje, infelizmente, morrem na miséria, como morreu, por exemplo, o Mestre Pastinha. Morrem mais não perdem a sua dignidade e nem são esquecidos por nós. 

 

Nós temos a força, e eles sabem disso

Nós, capoeiristas, sabemos a força que temos mais ainda não aprendemos a utilizá-la. mais outros seguimentos da sociedade já perceberam a nossa força e tentam se "apropiar" de alguns trabalhos, de alguns Mestres, para assim alcançarem os seus objetivos.  

 

Iniciativas como o Capoeira Viva e agora o Plano Nacional de Salvaguarda são louváveis, mais ainda são muito poucos dada a magnitude de nossa Capoeira. 

 

Esperamos que esta frente venha somar na luta de todos e todas nós que temos buscado o nosso reconhecimento, tanto aqui como no mundo inteiro. Vários olhos tem se voltado para a nossa Capoeira, para a força que temos e esperamos que os frutos que tenhamos que colher desses "olhares", sejam significativos. 

Programação inclui outras manifestações

Segundo a Agência Câmara, haverá como parte da programação, apresentações de Puxada de Rede e uma Roda Tradicional de Capoeira Regional. Ainda, segundo a Câmara, o presidente da frente será o deputado Mário Marinho (PRB/BA) e o vice-presidente será o deputado Flávio bezerra, do PRB/CE. 

 

Fique por dentro

Foi apenas recentemente, em 2008, que a Cãmara Federal aprovou o Projeto de lei 7150/2002, de autoria do deputado federal por São Paulo, Arnaldo Faria de Sá, que reconhece a prática da Capoeira como profissão. Inclusive o texto, como está hoje, não atende as demandas de nossa Capoeira e por isso estivemos no gabinete do autor do PL e do Senador José nery, relator do projeto no Senado, para apresentarmos um substitutivo. 

 

Na reunião entregamos a nossa proposta ao Senador, que assumiu o compromisso de aprová-la no Senado Federal. Vamos ficar esperando sentados que nosso PL seja aprovado ou vamos começar a nos mobilizar e a fazer audiências públicas em todo o Brasil para discutir a nossa profissionalização. Aqui no Estado do Rio de Janeiro, nós, da Rede Nacional da Capoeira, estamos fazendo o nosso papel e chamando nossos pares para discutirmos esta e outras questões de nosso interesse, apesar de alguns/agumas não participarem das reuniões e nem mandarem representantes. 

 

Depois que a lei for sancionada, não adianta choradeira, pois o "leite já terá sido derramado".

Mestre Paulão

Coordenador da Rede nacional da Capoeira

pela regulamentação de nossa profissão